História
Patrono
O nome encontrado foi o do Infante D. Pedro, príncipe da dinastia de Avis, infante de Portugal, primeiro duque de Coimbra, senhor de Montemor e Aveiro, filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre que nasceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1392.
Seu pai proporcionou-lhe uma educação esmerada e excecional, numa era em que os grandes senhores eram pouco mais, senão mesmo, analfabetos. Em 1415, acompanha o pai na conquista de Ceuta e é feito cavaleiro no dia seguinte à tomada da cidade, na recém consagrada mesquita. É nesta altura que lhe é conferido o ducado de Coimbra, tornando-se, com o irmão Dom Henrique, 1º duque de Viseu, nos dois primeiros duques criados em Portugal.
Entre 1425 e 1428 percorreu a Europa, tornando-se o Infante das Sete Partidas. Reza alguma bibliografia que partiu por despeito, pela preferência que D. João manifestava por D. Henrique, motivada, segundo alguns autores, pelo próprio carácter de D. Pedro, mais sensível à causa dos fracos do que à sua condição conviria.

Na Hungria bateu-se contra os turcos e os hussitas, ao lado do imperador Sigismundo, o que lhe valeu o ducado de Treviso. Visitou Barcelona, a Flandres, Inglaterra, Castela, Veneza, Pádua, Ferrara e Roma, onde foi recebido pelo papa Martinho V. Em Inglaterra foi condecorado pelo seu primo Henrique IV com a Ordem da Jarreteira. É de crer que a sua viagem tivesse motivos diplomáticos, mas desse contacto com os grandes centros resultou sobretudo uma larga visão dos problemas internacionais que ele havia de imprimir à política portuguesa. Por tudo isto, dele se escreveu que “partiu um homem medieval e voltou um homem moderno”.
Em 1429, D. Pedro casa com a princesa D. Isabel de Aragão, condessa de Urgel e em determinada altura herdeira de Aragão, com quem constitui, segundo as fontes, uma união de amor. Desta união nasceram seis filhos: D. Pedro, condestável e escritor de mérito, que foi rei de Barcelona; D. Isabel, rainha de Portugal; D. Jaime, bispo de Arras e cardeal; D. João, rei de Chipre; D. Brites e D. Filipa.
Foi desde cedo senhor de um importante património, que a partir de 1415 se reconhece na unidade do ducado de Coimbra, senhorio jurisdicional e dominial que englobava diversas terras, direitos e jurisdições. Aqui se incluía o concelho de Penela que, juntamente com o da Lousã, montava guarda a Coimbra por sudeste. Poucas são as referências que se referem à permanência do infante no seu ducado antes de correr as “sete partidas”. Contudo, durante os anos que decorreram entre o seu regresso e o ser chamado à vida política, raramente terá saído destes seus domínios de Coimbra, para onde fora viver depois do seu casamento.
Ter-se-á então o infante dedicado ao estudo, atividade que, a crer no magister artium Mateus Pisano, o atraía desde a infância. Esta sua faceta é também atestada por cronistas como Zurara, para quem D. Pedro além do seu grande e natural saber estudara as artes liberais ou Rui de Pina que o considerou bem latinizado e assaz mystico em ciências e doutrinas de letras e dado muyto ao estudo. A sua preferência foi para traduções e adaptações, que não deixou de ilustrar com exemplos de diversos autores e da sua própria experiência. Assim foi com a sua principal obra, o Livro da Virtuosa Benfeitoria, uma tradução do De Beneficiis de Séneca alegadamente escrito pelo seu confessor Frei João Verba, com base em texto inicial do Infante. O livro em causa é um meio fecundo para aceder às doutrinas políticas da Geração da Avis, nomeadamente as que se referem à tese da origem popular do poder, que tendo origem mediata em Deus como autor da natureza social do homem, tem origem imediata na vontade dos homens reunidos em comunidade política. Invocava as virtudes da obediência e sobretudo a superioridade moral dos governantes, expressa numa aliança entre o poder e a sabedoria. A este último tema se dedicará também na Carta de Bruges, escrita a seu irmão D. Duarte, em que critica asperamente a falta de cultura da nossa administração. Para o Infante, importa que príncipe e sabedor sejam uma só cousa, A Carta de Bruges é uma crítica contundente à situação real do Estado Português, chamando a atenção de seu irmão para o facto de ser pela cultura e pelo prestígio dos seus colégios e universidades que os estados se conseguem impor no contexto das grandes nações do mundo.
Na morte de D. Duarte, seu rei e irmão mais velho, D. Pedro é preterido na regência de D. Afonso V de Portugal a favor da rainha-mãe, D. Leonor de Aragão. A escolha do falecido rei não era, no entanto, popular, e a fação opositora de D. Leonor em breve saiu às ruas. Um motim em Lisboa foi evitado in extremis, convocando-se uma reunião das cortes para normalizar a situação. O resultado do encontro foi a nomeação de D. Pedro para a regência do pequeno rei em Dezembro de 1439, deixando a classe média de burgueses e mercadores deveras satisfeita. No entanto, dentro da aristocracia, em particular D. Afonso, conde de Barcelos (meio irmão de D. Pedro), preferia-se a mais maleável D. Leonor de Aragão e desconfiava-se do valor do Infante. Começa então uma guerra surda de influências e D. Afonso consegue transformar-se no tio favorito de D. Afonso V. Em 1443, num gesto de reconciliação, D. Pedro torna o meio irmão D. Afonso no primeiro duque de Bragança e as relações entre os dois parecem regressar à normalidade. Indiferente às intrigas, Pedro continua a sua regência. Finalmente, a 9 de Junho de 1448, D. Afonso V atinge a maioridade e D. Pedro entrega o controlo de Portugal ao rei, verificando-se o grau de influência do Duque de Bragança sobre D. Afonso.
Vontade prisioneira entre a época dos senhores feudais e a da burguesia urbana, «Dúplice dono (…) de dever e de ser» como dele diz Fernando Pessoa na Mensagem, a apreciação da sua regência divide os historiadores. Contudo, parece prevalecer a ideia de que, depois do infante D. Pedro, os concelhos, e logo os povos, regrediram, perdendo terreno em proveito da nobreza e do clero.
A 15 de Setembro, D. Afonso V anula todos os éditos de D. Pedro. A situação torna-se insustentável, e começa uma guerra civil. Breve, pois a 20 de Maio de 1449 ocorreu a batalha de Alfarrobeira perto de Alverca, durante a qual o Infante morreu. As condições exatas da sua morte continuam a causar debate: aparentemente D. Pedro morreu em combate, mas a hipótese de um assassínio disfarçado na batalha nunca foi descartada. Talvez porque, como escreveu recentemente um conceituado historiador, era “como se ele fosse o corpo de uma ideia medonha que era preciso matar”.
Com a morte de D. Pedro, Portugal caiu nas mãos de D. Afonso, 1º duque de Bragança, com cada vez mais poder sobre o rei. No entanto, o período da sua regência nunca foi esquecido e D. Pedro viria a ser citado muitas vezes pelo rei D. João II de Portugal (seu neto) como sendo a sua maior influência. A perseguição implacável que D. João II viria a mover aos Bragança terá sido talvez a resposta às conspirações que causaram a queda do maior príncipe da Ínclita geração.

Monumento ao Infante D. Pedro
O monumento ao Infante D. Pedro em Penela é uma escultura contemporânea da autoria do Mestre João Cutileiro, instalada na Praça da República, no centro histórico da vila. Requalificada em 2002, a praça oferece uma vista privilegiada para o Castelo, celebrando o Duque de Coimbra, que teve um papel importante na região no século XV.